domingo, 14 de dezembro de 2014

nós

NOS passos perdidos por caminhos indecisos.
NOS acordes e nas notas musicais.
NOS poetas e poesias.
NOS minutos em que acordo sinto ainda mais...
NOS poemas de Quintana e de Pessoa.
NOS sorrisos de toda gente boa.
NOS minutos em que durmo.
NOS livros e entre cada linha.
NOS nos espaçamentos entre cada palavra.
NOS copos cheios das pessoas vazias...
NOS amanheceres e em todos os tombos do Sol.
NOS cantos dos pássaros pela manhã.
NOS quatro cantos dos meus pensamentos.
NOS dias de sol e nos dias de chuva.
NOS brilhos de todas as estrelas.
NOS sorrisos dos céus noturnos.
NOS corpos entrelaçados pelas esquinas da cidade.
NOS beijos dos casais apaixonados.
NOS filmes e nos seriados.
NOS pequeninos ônibus azuis e vermelhos.
NOS balões que navegam pelo céu azul sem medo.
NOS acordes das minhas composições.
NOS batimentos dos bons corações.

Em tudo que eu faço nós, 
Desata o laço e quebra o compasso.

10/05/2014
"Agora sua ausência se faz presente, faz-me companhia...
mas de presente nada dela ganho.

A dádiva da sua ausência é o silêncio contido e tímido do meu coração nesta manhã, porém sereno e sorrindo você em silêncio."


 -20/03/2014

és contradição que mora em cada esquina do coração

Houve tolo que disseste o quão doce é o amor.
Mas oras, onde está o doce de amar?
Tal tolo jamais choraste por amor.
Pois se transbordasse uma lágrima por sobre o seu rosto,
Tal tolo descobriria que o sabor,
O verdadeiro sabor do amor, por vezes
encontra-se entre um gosto salgado
e de um certo grau de amargor, mas
Outrora as mesmas lágrimas salgadas,
derramadas em mal dormidas madrugadas,
podem ser tão doces como mel
e banhar com contida nostalgia sorrisos de alegria.
Então oras, onde está o amargor do amor?
Talvez banhando o paladar do tolo que ousou amar,
ou de quem teve a audácia em perguntar...




No fim
Amor é doce só para aqueles que realmente sabem amar.









14/12/2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Vermelho

Enche me os olhos de beleza.
Enche me a alma de desejo.
Enche me o peito de ternura.
Doce é o sabor dos teus lábios
Quando nossas línguas se entrelaçam em um beijo.
Feroz e intenso é o toque da tua pele na minha
quando nada além de suor separa nossos corpos.
A distância tenta ser proporcional ao sentimento,
E a saudade é tanta que por não caber aperta um tanto o peito.
E fico perdido no estreito entre o teu sorriso
E um mundo onde tudo acontece torto e sem jeito,
Ao menos sei e sinto do que sou feito, e sorrio um sorriso seu,
Sorriso meu que você é proprietária por todo direito.



-Diogo Mendes

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Jamais se deixe levar pelo silêncio de uma árvore.
Ela diz muito mais do que você pode imaginar.
Viveu muito mais do que viveremos um dia,
E sabiamente se cala...
Mas se puder por um momento em seus braços estar,
Vai poder entender a calmaria da natureza,
Se entregar a sabedoria contida no silenciar,
E respirar do oxigênio puro de sua beleza.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Náufragos e Despedidas

São mares de lágrimas, cachoeiras de sentimentos,
e todos, absolutamente todos, náufragos.
todos até agora...
Nunca embarcações seguras.
Tripulações vazias, mares cheios.
Despedidas inseguras, adeuses contidos, 
cheios de incertezas. Alguns carentes de motivos.
Já não sinto os pés no chão (?)
O mundo balança, balança como um litro de rum bebido, consumido, consumado, 
bem guardado no cérebro ainda anestesiado.
caminhamos rumo a perdição, em uma viagem financiada pela morte.
(pagaremos com juros?)
Descobriremos então... seja o descobrimento breve ou não, 
a morte não será preocupação.
Navegaremos de antemão... vida não será condição.
Pessoa bem dizia, "navegar é preciso, viver não é preciso." então...


- 29/04/2014

domingo, 22 de junho de 2014

Só lhe dão Solitude e Solidão

Solidão
É gaiola de ossos roídos
Pelos ruídos de dor do hóspede coração.
É grito silencioso da alma no escuro.
Silêncio barulhento em meio à multidão.
Companhia doce da sombra.
É na ausência da luz amar a escuridão.
Semblante de alegria, riso frouxo,
Encenando felicidade transcrita de alucinação.
Abdicação dos afetos doados.
A repulsa a qualquer gesto apaixonado.
É dor escondida na dúvida entre o sim e o não.
Camisa de força do amor humano.
Do amor próprio é submissão.
É envolver as pernas com os braços,
E sentir o mundo atado por suas mãos.

Solidão
São sete palmos de terra que abraçam e envolvem
Com ternura um corpo frio velado em um caixão.


- 22/06/2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"Maldito" seja o Sol

é nessas horas que eu sinto uma inveja incalculável do Sol...
incrível como independente de qualquer merda no mundo ele sempre está lá,
no alto, imponente, em toda a sua grandeza, brilhando pra nós.
e nem mesmo as piores tempestades o intimidam... talvez o ofusquem, mas não se engane, ele esta lá atrás de toda aquela escuridão, aguardando o seu momento de brilhar...
independente das circunstâncias ele segue o dia, como se nada tivesse acontecido, como se nada estivesse acontecendo... pr'ele nada importa no amanhã, somente o presente,

o presente que está vivendo. 
o presente de estar vivendo o presente a ser vivido.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O AMOR segundo C. S. Lewis

"Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é no inferno"

[Em "Os quatro amores"]
C.S.Lewis


- Feliz "Dia dos namorados".

terça-feira, 10 de junho de 2014

(D) Encontros

encontrei-te por voos baixos,
verde de esperança. peito ferido.
sofrido sentimento, mãos esquerdas atadas.
carinhosa ternura, carência de amor
traduzida nos mínimos toque entre as peles.
reles seres somos, quando feridos estamos.
invulneráveis, mais suscetíveis a falhas.
quis-te voando mais alto.
fiz-te música pra minha vida, oração do dia a dia,
compus-te em notas simples, mas com coração,
de todas a mais bela das melodias.
sem dúvida, minha melhor composição.
guardada egoístamente na gaveta,
tocada apenas para o meu coração.
seu voo tornaria-se constante. antes fosse.
quando senti teu pouso próximo
fiz-te um balão pra voar no céu de algodão-doce.
pude então te acompanhar, alto, no azul do céu,
nos sonhos, em pousos nos ninhos, 

entre o suor do nosso amor, fiz-me véu.
deleites entrelaçados em paixão cruel.
seus voos porém tornaram-se de maior altitude
além deste céu, por outro já bem conhecido.
pus-me em constante voo, aguardando pela sua companhia.
já não há importância com o que houve neste além voo interrompido.
o que me entristece é o por quê de não dividir mais essa nossa alegria.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ensaio Sobre Duas Rodas [Demo]

Hey, pequena, vem pra cá!
Quero me perder nesse sorriso solto.
Arrancar um pedaço dessa sua orelha.


Besteira!
E daí que amanhã vamos raiar
No mesmo instante em que o Sol vai se levantar?
Vem,

Deitar na minha rede, matar minha sede de ti.

Curtir o afago do teu abraço e depois vamos dormir.
Mas logo a frente o Sol nascente,
e te levo


Sobre duas rodas,
Você em minhas costas...

Vem,
No balanço da rede, amarrado em ti.
No abrigo do teu abraço adormecer e sorrir.
Mas logo o Sol nasce, subimos na bike,
e vamos

Sobre duas rodas,
Você em minhas costas...


- Diogo




quinta-feira, 5 de junho de 2014

Ainda beirando o fim do meu inferno astral... na popa de um naufrágio.
Degustando cada instante de um sofrimento que parece não ter fim.
A cada segundo uma apunhalada do silêncio me rasgando o peito...
Donde vem essa dor que parece começar no coração, sufocando-o, 
passando suavemente pela boca do estômago 
causando essa náusea infernal e fervendo meus olhos em brasa?
afundando a cada lágrima derramada, afogando em cada lágrima derramada.
Desabando a cada nota engolida pelo timbre desafinado de cordas vocais 
desgastadas pelo abandono,
A cada acorde torto ecoado do instrumento-homem 
para a Lua em meio a rua, na avenida da vida.
Por que desatar esse nó?
Por que deixar pontas soltas, 
se nos laços que nos fazemos fortes, 
nos mantemos firmes?

queixo-me ao céu...
e nesse véu da noite acoberto-me de estrelas.
Me pego confuso ao observá-lo sorrir para mim de forma até então incompreensível.

Quão engraçada e insignificante é a nossa vida pra esses deuses idiotas?


- 06/05/14

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Fragmentos de Mim

Pra cada amor, pra cada morada de alegrias,
Passageiros, duradouros, mesmo aqueles que duraram dias,
É um pedaço meu que se vai, que se foi, que se esvai.
Um pedaço seu, seja lá quem for, seja lá quem foi,
seja lá quem venha a ser, que fica. Como estaca no peito finca.


Um pedaço de muitos outros perdidos entre essas pessoas.
Algumas delas especiais, outras apenas ilusões, algumas essenciais,
mas o incrível é que sempre tem a que se faz inesquecível,

indescritível, surreal em meio a todo esse temporal.

Por que ainda insistir nessa loucura?
O quanto o coração aguenta de toda essa perjura?
O quanto dessa dor no peito terei de suportar?

A dor do vazio no peito é algo que há de sanar?

Por amores impossíveis, amores imprevisíveis,
amores que perdi, amores que deixei passar,
não sei se vacilei, ou se muito me dei.
não sei se ainda amo-os, ou se os deixei de amar.


Deve regar-se de amor próprio.
Ser companhia de sua própria solidão.
Viciar-se em si, como vicio de ópio.
Preencher de ti seu coração. Pois então...

O quão egoísta é estar apaixonado, amar alguém?
Se amar é querer o bem do amado muito além,
O quanto dessa felicidade você suportaria,
quando essa felicidade não mais te convém?



- 20/02/2014 ~ 02/06/2014


terça-feira, 20 de maio de 2014

Contratempos

Pendurei meu coração nos ponteiros de um relógio.
O mundo gira, e o peito baila a valsa da imensidão do tempo.
No meu peito rasgam-se as horas.
Minutos e segundos sangram meu pensamento.

-20/04/2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

hoje a cidade entoou um grito doente e desesperador, rasgando o silêncio da solidão. 
tirou o sono dos angustiados, de abençoados ignorantes, e mastigou pra si o sonho dos sonhadores alados.

A cidade gritou pois era preciso... 
o garoto carregava dentro de si dor perene, e manter-se taciturno já não o fazia solene. Dissolveu-se em escuridão.
A escuridão do véu noturno transava por sobre seu rosto,
sobre o seu corpo,
sobre cada pulsação do sangue em suas veias,
e em cada centímetro cúbico de sua respiração. Em sua volta era tudo escuridão.
E o céu noturno excitava-se na tristeza, e sorria ironia. Sorria um sorriso amarelado, um sorriso debochado de alegria. 
Já havia sido totalmente apossado por desespero, que agora disfarçava-se de contentamento. Na contenção de agonias.
E em cada canto de si sentia, no ecoar dessa angústia, a vicissitude do ser em plena juventude. 

fez-se assim enfim,
perdeu-se em devaneios e anseios.
perdeu-se sem fim.

completamente contaminado de nostalgia iminente, jazia doente no escuro retrato futuro de um garoto maduro, de peito ferido ainda preenchido, rumo perdido e futuro confuso.