Ainda beirando o fim do meu inferno astral... na popa de um naufrágio.
Degustando cada instante de um sofrimento que parece não ter fim.
A cada segundo uma apunhalada do silêncio me rasgando o peito...
Donde vem essa dor que parece começar no coração, sufocando-o,
passando suavemente pela boca do estômago
causando essa náusea infernal e fervendo meus olhos em brasa?
afundando a cada lágrima derramada, afogando em cada lágrima derramada.
Desabando a cada nota engolida pelo timbre desafinado de cordas vocais
desgastadas pelo abandono,
A cada acorde torto ecoado do instrumento-homem
para a Lua em meio a rua, na avenida da vida.
Por que desatar esse nó?
Por que deixar pontas soltas,
se nos laços que nos fazemos fortes,
nos mantemos firmes?
queixo-me ao céu...
e nesse véu da noite acoberto-me de estrelas.
Me pego confuso ao observá-lo sorrir para mim de forma até então incompreensível.
Quão engraçada e insignificante é a nossa vida pra esses deuses idiotas?
- 06/05/14
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