hoje a cidade entoou um grito doente e desesperador, rasgando o silêncio da solidão.
tirou o sono dos angustiados, de abençoados ignorantes, e mastigou pra si o sonho dos sonhadores alados.
A cidade gritou pois era preciso...
A cidade gritou pois era preciso...
o garoto carregava dentro de si dor perene, e manter-se taciturno já não o fazia solene. Dissolveu-se em escuridão.
A escuridão do véu noturno transava por sobre seu rosto,
sobre o seu corpo,
sobre cada pulsação do sangue em suas veias,
e em cada centímetro cúbico de sua respiração. Em sua volta era tudo escuridão.
E o céu noturno excitava-se na tristeza, e sorria ironia. Sorria um sorriso amarelado, um sorriso debochado de alegria.
Já havia sido totalmente apossado por desespero, que agora disfarçava-se de contentamento. Na contenção de agonias.
E em cada canto de si sentia, no ecoar dessa angústia, a vicissitude do ser em plena juventude.
fez-se assim enfim,
perdeu-se em devaneios e anseios.
perdeu-se sem fim.
completamente contaminado de nostalgia iminente, jazia doente no escuro retrato futuro de um garoto maduro, de peito ferido ainda preenchido, rumo perdido e futuro confuso.
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